Brasil pode ter retomada de financiamento em Angola após paralisação por casos de corrupção

  • Foto: Getty Images / Reprodução -

Dezoito empresas, entre as quais algumas das principais construtoras do País investigadas na operação, aproveitaram a presença do presidente Lula em Luanda para pedir a reabertura dos financiamentos no país

Em sua recente visita oficial a Angola, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu a retomada dos financiamentos brasileiros no país africano, que foram interrompidos devido a casos de corrupção investigados pela Operação Lava Jato. Há oito anos, as operações de crédito foram paralisadas devido às denúncias de irregularidades que abalaram algumas das principais construtoras do Brasil. Dezoito empresas, incluindo aquelas que foram alvo das investigações, viram na presença de Lula em Luanda uma oportunidade para solicitar a reabertura dos financiamentos, cujo montante pode atingir a marca de US$ 100 milhões, aproximadamente R$ 487 milhões.

Durante a visita, um grupo de executivos, liderados pelos CEOs da Novonor (antiga Odebrecht), Hector Nunez, da Andrade Gutierrez, Carlos Souza, e da Queiroz Galvão, Gustavo Guerra, obteve uma reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O encontro ocorreu no luxuoso hotel Intercontinental, situado na capital Luanda. A reunião se deu em meio a discussões sobre a possibilidade de reiniciar os financiamentos e reaquecer as relações comerciais entre os dois países.

Apesar do compromisso público de Lula em retomar os financiamentos, membros do governo expressam preocupações sobre os possíveis embates e desgastes políticos que essa decisão poderia trazer, especialmente no Congresso. O histórico associado à Operação Lava Jato, que desvendou uma série de escândalos de corrupção, cria um cenário delicado para o governo, que precisa equilibrar os interesses comerciais com as demandas por transparência e integridade.

As sombras do passado continuam a pairar sobre a retomada dos financiamentos. Em um acordo de leniência nos Estados Unidos, a Odebrecht admitiu ter pago propinas significativas a políticos e funcionários públicos em diversos países, incluindo Angola e Brasil, totalizando cerca de US$ 788 milhões.

O próprio Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou processos judiciais e se tornou réu em uma ação penal relacionada ao que ficou conhecido como "esquema Angola", investigado na Operação Janus. Alegações sobre corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de influência internacional marcaram o caso, envolvendo supostos benefícios ilícitos obtidos entre 2008 e 2015, tanto durante sua presidência quanto após seu mandato.

No meio das tratativas, o ministro Fernando Haddad orientou os empresários a liderarem o diálogo, expressando seus interesses e necessidades através de uma carta direcionada à sociedade, ao Executivo e ao Congresso. Haddad enfatizou a importância de demonstrar como implementarão mecanismos de transparência e controle para evitar novos casos de corrupção. O ministro alertou que, sem um engajamento proativo por parte das empresas, a liberação de recursos poderia se tornar alvo de uma disputa política.

Em relação aos valores, Haddad não discutiu cifras específicas com os empresários. No entanto, fontes apontam que os executivos expressaram o desejo de obter pelo menos US$ 100 milhões em uma nova linha de crédito.

Até o momento, Novonor e Queiroz Galvão optaram pelo silêncio, enquanto a Andrade Gutierrez se recusou a fazer comentários sobre a questão. A retomada dos financiamentos e a reaproximação econômica entre Brasil e Angola permanecem como temas de intensa discussão e vigilância.

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